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Câmara
Município vai recuperar Teatro Narciso Ferreira
    15-03-2006
    O velho Teatro Narciso Ferreira, de Riba de Ave, vai ser reabilitado e transformado num pólo da Casa das Artes, de Vila Nova de Famalicão. A novidade foi avançada pelo presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Armindo Costa, depois do executivo camarário ter aprovado, por unanimidade, a proposta para a constituição de direito de superfície deste espaço cultural, a favor da autarquia, pelo período de 30 anos, renováveis, mediante um acordo com a Fundação Narciso Ferreira, proprietária do imóvel.

    De acordo com Armindo Costa, a partir de agora “caberá à Câmara de Famalicão realizar as obras de remodelação e adaptação necessárias para instalar ali um pólo da Casa das Artes”. Uma obra que o autarca quer ver concluída “até ao final deste mandato”.

    Depois de já ter efectuado uma estimativa dos custos com as obras de recuperação do velho teatro, que está encerrado há vários anos, o presidente da Câmara de Famalicão disse que o orçamento não deverá ultrapassar 1 milhão de euros (cerca de 200 mil contos).

    “Assim, para além da Casa das Artes na sede do concelho, passaremos a ter uma Casa das Artes em Riba de Ave, que é uma das três vilas do concelho”, realçou o edil, acrescentando que “é um projecto ambicioso, que todos os ribadavenses vão acarinhar”.

    Tendo em conta que, “a prática do município tem sido a de descentralizar o acesso a eventos culturais, aproveitando as sinergias existentes”, Armindo Costa salientou que “este é um passo muito importante nesse sentido, que vem beneficiar, não só a vila de Riba de Ave, mas também as freguesias vizinhas, como Bairro, Carreira, Delães, Oliveira S. Mateus e Oliveira Santa Maria, com dezenas de milhares de habitantes, que deixarão de ter a necessidade de se deslocar à cidade para assistir a um bom espectáculo cultural”. A futura Casa fas Artes de Riba de Ave servirá, igualmente, \"as freguesias vizinhas dos municípios de Guimarães e Santo Tirso\".

    Por outro lado, Armindo Costa referiu que ”o êxito alcançado pela Casa das Artes, em termos de afluência de público, excede muitas vezes as expectativas, obrigando, em alguns casos, ao agendamento de novos eventos”. Neste sentido, a revitalização do Teatro Narciso Ferreiro “vem também dar uma resposta a esta necessidade da Casa das Artes de Famalicão”, disse.

    A IMPORTÂNCIA DE NARCISO FERREIRA

    Filho de um casal de agricultores de Pedome, onde nasceu, Narciso Ferreira tornou-se no maior industrial têxtil de Riba de Ave e num dos primeiros da região do Vale do Ave, em finais do século XIX. Está, por isso, ligado ao financiamento da construção de muitos equipamentos na vila, designadamente o teatro e o mercado. Tudo começou pelos 19 anos, quando, depois da aprendizagem em oficina de um tecelão local, se autonomizou com dois teares na casa materna, cerca de 1881.

    Produzia tecido e dava a tecer ao domicílio para vender nas feiras da região – Amarante, Penafiel, Lixa, Vila Real, Mesão Frio e na praça do Porto. Com o casamento, em 1882, fixou-se em Riba de Ave. Comprou uma casa térrea, junto ao rio Ave, onde estabeleceu uma oficina e ergueu um açude para aproveitamento hidráulico de teares mecânicos.

    A sua ligação ao comerciante portuense Manuel Joaquim de Oliveira terá permitido avançar para a ideia de uma organização fabril em grande, fazendo para isso apelo a outros sócios, por 1894. Ergue-se, assim, uma sociedade em que, além de Narciso Ferreira e de Manuel Joaquim Oliveira, participam outros capitalistas do Porto.

    Esta situação é legalizada por escritura de 24.06.1896, dando origem à firma Sampaio, Ferreira & Cª. Esta sociedade propicia o salto qualitativo: a nova instalação passa imediatamente a 200 teares mecanizados, com fiação, acabamentos, oficinas para manutenção e renovação de equipamentos. A instalação desta fábrica constitui um marco na industrialização do concelho de Famalicão e do Vale do Ave.

    A Sampaio, Ferreira & Cª foi, na verdade, a primeira grande unidade industrial do concelho de Vila Nova de Famalicão (iniciada com 200 teares, em 1910 já tinha 846 trabalhadores), dotada de sentido verticalizante (fiação, tecelagem, tinturaria), podendo dizer-se que inicia o pólo industrial de Riba de Ave, sob o ponto de vista da organização moderna.

    Depois, é preciso assinalar-se que outras empresas nasceram a partir daqui, criando-se desde logo um verdadeiro grupo empresarial de base familiar: em 1905, abre a Empresa Têxtil Eléctrica, em Bairro, fiação e tecelagem idealizada para trabalhar a energia hidroeléctrica, produzida na própria fábrica para aproveitar os desperdícios de algodão da casa-mãe no fabrico de cobertores e cotins grossos.

    E em finais da primeira década do século XX começa a erguer-se a Oliveira Ferreira & Cª, em Riba de Ave, em local próximo da Sampaio & Ferreira idealizada para a produção de telas para estamparia e flanelas. E depois, através da descendência de Narciso Ferreira, há uma série de fábricas têxteis que se criam em zonas diversas do Norte do País, entre outros ramos de negócio (electricidade, imobiliário, hotelaria).
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